Escore de Cálcio · Escore de cálcio zero
Escore de cálcio zero
Zero é o melhor resultado possível, e o mais mal interpretado. Ele diz que não há cálcio detectável hoje — não que não exista doença, nem que o exame nunca precise ser repetido.
O que o zero mostra
Nenhum cálcio foi detectado nas artérias coronárias. Em uma série de 44.052 pessoas assintomáticas, a mortalidade anual de quem tinha escore zero foi de 0,87 por mil pessoas-ano, contra 7,48 acima de 10 — e os eventos em 10 anos ficaram em torno de 1%.
É informação boa e acionável: indica que a carga de placa calcificada é baixa e que o foco pode ser manter o que já está funcionando.
O que o zero não garante
Não descarta placa não calcificada. O exame mede cálcio, não gordura dentro da parede da artéria — e é a placa não calcificada, em geral, que rompe.
Não encerra a conta do risco. Pressão alta, diabetes, tabagismo, LDL colesterol elevado e histórico familiar continuam pesando, e o próprio estudo mostra que fumo e diabetes concentram os poucos eventos que ocorrem em quem tem escore zero.
Escore 1 a 10 não é zero
Quem tem 1 a 10 teve aproximadamente o dobro da mortalidade de quem tem escore zero (HR 1,99; intervalo de confiança 1,44 a 2,75). É a faixa em que a diferença entre “quase nada” e “nada” tem consequência prática.
Aqui a leitura é junto com idade, histórico familiar e colesterol — não pelo número sozinho.
Quando repetir
Não há intervalo universal, e não há indicação de repetir de rotina em quem tem escore zero. A repetição costuma ser discutida em situações específicas: mudança importante do risco, progressão suspeita, ou decisão terapêutica ainda em aberto.
Quem define o intervalo é o médico que acompanha o caso, olhando o conjunto — não apenas o número.
Fontes: Blaha M et al., JACC Imaging 2009 (PMID 19520338); Rajan T et al., Am J Cardiol 2020 (PMID 32941817).