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Você tem 40 e poucos, trabalha muito e quer o risco real
Check-up com colesterol “normal” não responde se existe placa. O número compara você com quem tem a sua idade e o seu sexo.
Percentil por idade e sexoQuanta placa já se calcificou nas suas coronárias — e o que a diretriz brasileira faz com esse número.
O número sai no laudo em unidades Agatston. O cálculo acontece no seu navegador, nada é enviado, e a faixa correspondente acende na régua ao lado.
Escala linear de 0 a 400 unidades Agatston, em três zonas de risco: até 100, de 101 a 300 e acima de 300. Valores acima de 400 ficam na cauda aberta, à direita.
0
Nenhum cálcio detectável; cerca de 1% de eventos em 10 anos.
Não reclassifica; não descarta placa não calcificada.
1–10
Cálcio mínimo, já com o dobro da mortalidade de quem tem 0.
Não reclassifica isoladamente.
11–100
Carga inicial; o peso depende do percentil para idade e sexo.
Percentil acima de 75 é alto risco cardiovascular, a mesma classificação de um escore acima de 100. Em diabetes, 10–300 já conta como alto risco; em hipercolesterolemia familiar você já é alto risco pelo LDL.
101–300
Placa estabelecida, com risco claramente maior.
Alto risco cardiovascular. Em hipercolesterolemia familiar com CAC acima de 100, a classificação sobe para muito alto risco.
301–399
Carga alta, no território de maior risco.
Muito alto risco cardiovascular.
400+
Mortalidade coronariana 5,4 vezes a de escore zero (CAC Consortium, 12,5 anos) — desfecho diferente das razões de evento acima.
Muito alto risco cardiovascular.
Unidades Agatston (UA). Comparações de risco contra escore zero vêm do estudo MESA e do CAC Consortium, referenciados ao pé da página. Pessoas com diabetes e com hipercolesterolemia familiar têm regras próprias — veja as cinco regras da diretriz.
Confundir as duas coisas é a origem de quase todo mal-entendido sobre o resultado — inclusive o de quem recebe um zero e relaxa onde não deveria.
A quantidade de cálcio na parede das artérias coronárias, em unidades Agatston. É um marcador da carga de placa acumulada ao longo da vida.
O escore não mede obstrução. Quem responde “existe entupimento e quanto” é a angiotomografia de coronárias, que usa contraste e é outro exame.
Dor no peito, falta de ar ou desmaio pedem avaliação imediata, não exame eletivo de rastreamento. Se esse é o seu caso, procure atendimento agora.
Em muitos casos os dois se complementam. A indicação depende do seu quadro clínico — é isso que a consulta resolve.
Um mede cálcio, o outro mede estreitamento. Confundir os dois é o erro mais comum na hora de pedir o exame certo.
Pergunta: quanta placa calcificada eu tenho?
Pergunta: existe estreitamento, e onde?
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 é o documento que orienta a decisão no Brasil. Ela reserva uma tabela inteira ao escore de cálcio. São cinco regras.
Fonte: Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640, Tabela 4.4.
7,73×
é o risco de qualquer evento coronariano — a maioria deles infarto ou morte por causa coronariana — de quem tem escore entre 101 e 300, comparado a quem tem escore zero. Acima de 300, a razão sobe para 9,67×.
MESA, 6.722 pessoas, quatro grupos étnicos. Detrano et al., NEJM 2008.
Quem tem risco calculado intermediário, mais de 40 anos e LDL colesterol entre 70 e 159 mg/dL se beneficia de medir o escore, quando o exame está disponível.
Escore acima de 100 UA, ou percentil acima de 75 para sexo e idade: classificado como alto risco cardiovascular.
Escore acima de 300 UA: classificado como muito alto risco cardiovascular.
Em pessoas com diabetes, escore entre 10 e 300 UA já classifica como alto risco.
Em pessoas com hipercolesterolemia familiar, escore acima de 100 UA classifica como muito alto risco.
O escore é mais útil exatamente onde a conta não fecha: risco intermediário, pessoa acima de 40 anos, LDL colesterol entre 70 e 159 mg/dL, decisão sobre iniciar estatina ainda em aberto. É ali que um número a mais separa duas condutas.
E ele também serve para o contrário. Cerca de 1 em cada 3 pessoas que preenchia critério de estatina pela diretriz americana de 2018/2019 tinha escore zero — e nesse grupo a mortalidade cardiovascular foi cerca de 12 vezes menor do que em quem tinha algum cálcio (0,2% contra 2,4%).
O mesmo número significa coisas distintas conforme a sua idade, o seu histórico e o que você já sabe sobre o seu risco. Comece pelo seu caso.
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Check-up com colesterol “normal” não responde se existe placa. O número compara você com quem tem a sua idade e o seu sexo.
Percentil por idade e sexo02
Pressão alta, diabetes ou colesterol alto mudam a régua — e o escore mostra se o tratamento precisa ser mais firme.
O que cada faixa significa03
Escore zero é boa notícia e ponto de partida, não certificado. Saber o zero de hoje orienta quando repetir.
O que o zero garante
Quem interpreta um escore não deveria ser um programa que devolve faixa. O número é o começo: o que muda a leitura é a densidade do cálcio, a distribuição pelos territórios das coronárias, a comparação com exames anteriores e o seu histórico.
Sou cardiologista com atuação em imagem cardiovascular avançada, formado no InCor-USP e certificado em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School. Já realizei e laudei mais de 11 mil angiotomografias — e é essa leitura, não apenas o número do laudo, que orienta a conversa na consulta.
Realizo o escore de cálcio em três serviços de imagem. O agendamento é feito direto com o serviço, que também confirma preparo, documentação e cobertura do seu convênio.
Natal/RN
Rua Maxaranguape, 614 — Tirol, dentro da Casa de Saúde São Lucas
João Pessoa/PB
Atende as duas unidades
Campina Grande/PB
Agendamento pelo serviço
Fora dessas três cidades, o exame pode ser feito em outro serviço de imagem e o laudo trazido para avaliação na consulta — agendar a consulta.
Um PDF curto, para levar para a consulta: o que cada faixa significa, as cinco regras da diretriz de 2025, e as perguntas que valem ser feitas sobre o seu número.
Sem promessa de resultado e sem indicar conduta: é material informativo.
As respostas resumem evidência publicada e a Diretriz Brasileira de 2025. Elas não substituem consulta médica e não indicam conduta individual.
Ficou uma dúvida que não está aqui?
Falar com a secretariaSe a dúvida for sobre o seu caso, ela se resolve na consulta — não por mensagem.
Zero é o único resultado sem cálcio detectável. Qualquer valor acima disso indica placa calcificada, e acima de 100 UA a diretriz brasileira de 2025 já classifica a pessoa como alto risco cardiovascular. “Normal” e “sem risco” não são sinônimos.
Nenhum cálcio foi detectado. Em séries grandes, isso se associou a cerca de 1% de eventos em 10 anos — um risco baixo, mas não nulo. Zero não descarta placa não calcificada nem dispensa tratar outros fatores.
Não. Quem tem 1 a 10 teve aproximadamente o dobro da mortalidade de quem tem escore zero. É uma faixa de risco intermediária que merece leitura junto com idade, histórico familiar e colesterol.
Não. Ele mede a quantidade de cálcio na parede das artérias, não o grau de obstrução do canal. Para saber se há estreitamento e onde, o exame é a angiotomografia de coronárias, com contraste.
Estudos com ultrassom intracoronariano mostram que estatinas aumentam a calcificação da placa de forma independente da redução do volume de placa. Isso é interpretado como estabilização da placa, e não como piora da doença.
Não existe tratamento para retirar o cálcio já depositado. O que se trata é o processo que forma a placa: colesterol, pressão, tabagismo, sedentarismo, diabetes. O cálcio é o registro do que aconteceu, não um alvo a dissolver.
Não há intervalo universal. Na maioria das pessoas, um escore zero não precisa ser repetido de rotina, e a repetição costuma ser discutida em cenários específicos — progressão suspeita, mudança importante de risco ou decisão terapêutica em aberto. Quem define o intervalo é o médico que acompanha o caso.
É uma tomografia sem contraste, sem acesso venoso e sem injeção, com aquisição de poucos segundos. O exame não dói. O preparo específico é confirmado pelo serviço onde você agenda.
A indicação mais estabelecida é em adultos acima de 40 anos com risco cardiovascular intermediário, quando a decisão de tratar está em aberto. Pessoas com histórico familiar forte ou com dúvida sobre o próprio risco também discutem a indicação na consulta.
Não, ele complementa. A diretriz brasileira de 2025 usa o PREVENT para estimar risco e reserva o escore de cálcio para refinar essa estimativa em casos selecionados. Um número novo não apaga o cálculo anterior: ajusta.
Importa. Dois escores iguais em pessoas diferentes podem significar riscos diferentes, conforme idade, sexo, distribuição do cálcio pelos territórios e evolução em relação a exames anteriores. O número é o mesmo; a leitura, não.
Não. Escore alto indica que a doença aterosclerótica já está instalada e que o controle dos fatores de risco precisa ser mais firme. É informação para agir, não um prognóstico fechado.
Se você já tem o laudo, comece pelo leitor acima. Se ainda não fez o exame, o agendamento é direto com o serviço de imagem — e a leitura, comigo, na consulta.
Está fora de Natal, João Pessoa e Campina Grande? O exame pode ser feito em outro serviço de imagem e o laudo trazido para avaliação — agendar a consulta no consultório.
O guia em PDF sai na hora, sem depender de agenda.