Escore de Cálcio · Escore de cálcio acima de 400
Escore de cálcio acima de 400
É o território em que a doença aterosclerótica deixa de ser probabilidade e passa a ser fato documentado. Muda a intensidade do controle, não o valor de agir.
O que o número diz
Em uma coorte de 66.636 pessoas sem doença coronariana conhecida, quem tinha escore a partir de 400 apresentou mortalidade coronariana 5,44 vezes maior e mortalidade cardiovascular 4,15 vezes maior do que quem tinha escore zero, em mediana de 12,5 anos de seguimento.
O achado mais forte é transversal: pessoas sem nenhum fator de risco tradicional, mas com escore 400 ou mais, morreram mais do que pessoas com três ou mais fatores de risco e escore zero. A imagem, nesse caso, corrige a impressão que a tabela de risco dava.
O que a diretriz faz com esse número
A Diretriz Brasileira de 2025 classifica como muito alto risco cardiovascular todo escore acima de 300 unidades Agatston. Acima de 400, portanto, já se está no topo da classificação de risco. O que muda em relação à faixa anterior é a força da evidência de mortalidade, não a categoria.
Não é sentença
Escore alto descreve a carga de placa acumulada até hoje; ele não desenha o que acontece nos próximos anos. O que modula esse futuro é o controle dos fatores: LDL colesterol, pressão, tabagismo, glicemia, sono, exercício.
E há um detalhe contraintuitivo: quando a estatina é usada, a calcificação da placa tende a aumentar, de forma independente da redução do volume de placa. Esse achado é interpretado como estabilização — não como progressão da doença.
Fontes: Grandhi GR et al., JACC Imaging 2020 (PMID 31734198); Puri R et al., JACC 2015 (PMID 25835438).